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Relação entre INTZ e Red Canids põe em xeque novo regulamento do CBLoL

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Um caso envolvendo uma das maiores organizações de eSports do Brasil agita o cenário nacional de League of Legends. A INTZ e-Sports Club, uma das equipes mais conhecidas do país, anunciou seu desligamento do time INTZ Red, dando origem à Red Canids. A atitude foi em resposta ao novo regulamento do Campeonato Brasileiro de LoL, que não permitirá, em 2016, a existência de múltiplos times sob o mesmo nome – as chamadas equipes irmãs.

Na teoria, os sócios da nova organização seguem a regra estabelecida pela Riot Games, sendo diferentes dos da INTZ. Na prática, porém, ambos têm relação direta, e até familiar, com os donos da INTZ Rogerio Rodrigues de Almeida e Lucas Simões de Almeida – Dinara Guzairova é namorada de Lucas, e Luan Rodrigo Florencio de Almeida é filho de Rogerio. Ambos são os sócios da recém criada Red Canids. Além disso, o manager do time é Caique Henriques, ex-gerente de marketing da INTZ, rosto comum em competições recentes nas quais a INTZ é participante.

Mudanças na regra

Para entender melhor o caso, é preciso voltar um pouco no tempo e revisitar as consequências que vieram após as alterações de regulamento feitas pela Riot.

A empresa fez essa mudança das equipes irmãs seguindo a regulamentação de outras regiões do mundo, como na América do Norte, cuja competição oficial é a LCS (League Championship Series). Segundo as regras oficiais do torneio americano de 2015 sobre a posse de organizações (3º tópico no documento):

Nenhum proprietário, manager ou afiliado de proprietário de uma equipe pode possuir, controlar ou ter interesse financeiro direto ou indiretamente (como um acordo contratual ou posse), ou ser funcionário ou contratante de mais do que uma equipe de League of Legends em uma liga profissional de eSports.

Apesar de se inspirar na regulamentação global, as regras da Riot no Brasil são mais vagas. O tópico sobre a afiliação de organizações com mais de um time diz que “cada organização não poderá ter mais de uma equipe de League of Legends a partir da próxima temporada. As novas equipes devem ter nome, CNPJ e sócios diferentes da antiga organização”.

Dessa maneira, Keyd StarsKaBuM e INTZ precisaram tomar iniciativas para se adequar ao novo conjunto de regras da empresa. A Keyd antecipou a situação e vendeu sua equipe, Keyd Warriors, à G3nerationX em maio de 2015. Já a KaBuM transformou a KaBuM.Black e KaBuM.Orange em apenas um time. Enquanto isso, no dia 17 de dezembro, a INTZ revelou sua nova equipe de LoL e também o desvinculamento da INTZ.Red, que passou a se chamar Red Canids.

Lucas Almeida, sócio da INTZ, explicou a relação das antigas equipes irmãs. “O único resquício, por assim dizer, da INTZ é (além do time) o Caique Henriques, nosso Gerente de Marketing, que foi junto nessa aquisição de novos investidores. (…) É uma operação totalmente à parte da INTZ, com novo dono”, disse – leia a entrevista completa.

Procurado pelo Omelete, Caique Henriques, atual manager da Red Canids, falou sobre os novos proprietários: “São investidores ocultos que têm grandes planos para a Canids, e eles me confiaram o papel de tocar o projeto”. Vale notar que o anúncio de Henriques como líder da Canids, criada para não ter relações com a INTZ, foi feito no dia 17 de dezembro – a declaração ao Omelete sobre os investidores foi dada no dia 20, direto da China, onde ele acompanhava a INTZ no campeonato de CrossFire da WCA.

Os documentos

A situação da administração da INTZ e Red pode ser esclarecida no site oficial do Ministério da Fazenda. Na imagem abaixo, comprova-se que os novos sócios da Red Canids são Luan Rodrigo Florencio de Almeida e Dinara Guzairova. Luan é filho de Rogerio Rodrigues de Almeida e Dinara é namorada de Lucas Simões de Almeida, ambos sócios da INTZ.

Já no site da Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambas organizações estão no mesmo endereço em salas diferentes. Antes como equipes irmãs, a INTZ e a Red já possuíam salas diferenciadas, porém faziam uso comum do cômodo da cozinha. Todos esses dados estão abertos e livres para consulta.

Ciente da situação, Philipe “PH Suman” Monteiro, gerente de eSports da Riot brasileira, disse ao Omelete que “no momento, as equipes estão dentro do regulamento. O que fazemos é exigir que as organizações tenham nome, CNPJ e quadro societário totalmente distinto umas das outras e essa exigência que fizemos, eles cumpriram”.

Se comprovarmos que de fato eles estão envolvidos nas duas organizações, então atenderemos isso de outra forma, sem dúvidas”. Questionado sobre o relacionamento entre os sócios das equipes, PH foi taxativo: “A gente não chega a fazer investigação de nome e parentesco, não é nossa exigência atual”.

Repercussão no cenário nacional

Algumas personalidades da comunidade brasileira de League of Legends esperam uma maior clareza sobre o assunto. Renan Philip, manager da Keyd, falou sobre a relação entre os sócios da INTZ e Red Canids. “Sendo realmente verdade que o Luan, que por acaso é filho do Rogério, dono da INTZ, seja sócio da Red Canids, isso é um tapa na cara da Keyd. Ano passado criamos um time para o CBLoL e já pensando nesse ano, repassamos essa equipe, acreditando que assim como lá fora a Riot seria muito exigente quanto aos novos donos dos times e faria uma pesquisa bem detalhada antes de anunciar qualquer coisa”, disse.

Para o manager, dificilmente essa situação aconteceria em outro lugar. “Isso na regra mundial é completamente inaceitável, eles são muito rígidos lá fora e não vejo porque no Brasil não teria como ser rígido também”, completou, adicionando um fato importante no caso INTZ-RED Canids. “Além disso, tem o grande e belo fato de que eles inscreveram também o Luan como reserva da INTZ, então ao mesmo tempo que ele é reserva da INTZ, filho do dono da INTZ, ele também é dono da RED Canids. É um conflito de interesses ridículo, pode ser que eles disputem em algum momento ou briguem por alguma posição e não sei quem o dono da RED Canids vai favorecer ou não”.

Alexandre Gaules Borba, dono da g3nerationX, que comprou a segunda equipe de League of Legends da Keyd em 2015, revelou que há algum tempo existe uma cobrança dos times para um esclarecimento sobre o caso. “Estava sendo cobrado há muito tempo não só dos supostos donos do time [RED Canids] para que eles se identificassem, mas da própria Riot. Não há clareza alguma. Todo mundo tem falado do contrato social, é uma situação em que deixa claro que não existe transparência e não existe o mesmo tratamento para todos os times”, comentou. Ele ainda adiciona: “Chegou ao ponto de eu receber uma ligação da Riot perguntando porque eu continuava no campeonato se estava tão ruim. Não é esse tipo de relação que eu quero dentro de um evento”.

Alexandre também disponibilizou ao Omelete um email que a Riot enviou aos administradores das organizações participantes do CBLoL 2016. O email trata de uma informação importante referente ao campeonato, mas não possuía nada de cunho confidencial. “A Riot nunca nos divulgou a lista dos emails que mandava, sempre colocou em cópia oculta. Entrou um funcionário novo abaixo do PH Suman e mandou um email para todos os donos dos times solicitando uma informação”, diz Gaules.

Ele simplesmente não copiou ninguém da suposta RED Canids, então ele copia todos os 7 times do CBLOL e não copia a RED. Isso deixa claro que ele sabe que se ele mandar a informação para a INTZ, vai chegar na RED. Se a administração não é a mesma, como ele pode simplesmente ignorar o 8º time no CBLOL? Por um descuido ele deixou mostrar que a administração é, pra mim, claramente a mesma”, finaliza o dono da G3X.

Fonte: Omelete

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